sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Nossas Vidas!



Nossas Vidas!!!
Nada acontece por acaso. Certo dia num piscar de olhos, lá estava eu em uma cama de hospital. Não sabendo ao certo o que tinha acontecido, um som atormentador ao meu redor, muitas vozes me confundiam.  Eu ali imóvel.
Com o passar dos tempos, parecia que havia uma nuvem negra em minha frente, que estava fadado a conviver com ela  atormentando-me. Mas Deus nunca da uma CRUZ maior do que nós possamos carregar. E assim foi comigo.
Com o passar dos dias, meses e anos foram aparecendo pessoas que foram dando um norte à minha vida.
Aquela nuvem que me assombrava foi se dissipando e novamente meu “Sol” voltou a brilhar, de uma maneira diferente,  muito mais incandescente  que antes.
Ao invés de ficar lamentado as pequenas mazelas que a vida nos trás, fui buscar o que ela poderia me proporcionar. Assim o fiz!
Ninguém é de ferro, assim como eu, chorei, fiquei olhando para o céu, mas não tive resposta, tive vontade de desaparecer como uma nuvem de fumaça, mas do que isso iria adiantar.
Sempre olhamos aquele que esta a nossa frente, e pensamos. “Puxa por que não sou eu ali”, mas não fazemos nada por merecer para estar ali à frente, muitas vezes nossa inércia é nosso fardo.
Foi ai que me toquei, se ele pode, porque eu não?
Votei estudar, me qualificar para buscar um algo mais em minha vida, e não ficar lamentando daquilo ou por aquilo que não consegui.
Hoje ao receber este diploma de “Vereador” foi um premio pelo meu esforço ao longo desses anos. Foi o primeiro passo depois de quase dezesseis anos, mas foi apenas o primeiro de uma longa caminhada que tenho pela frente.
Com muita Fé em Deus sei que posso ir muito além. Pois a vida continua!!!

segunda-feira, 19 de março de 2012

RELEMBRAR O ONTEM

RELEMBRAR O ONTEM

Hoje, feriando aqui em minha cidade, dia de São José nosso padroeiro. Tarde tranquila com céu azul, sol brilhante, últimos dias de verão, já podendo sentir a leve brisa de outono ah! se o ano todo fosse esse clima, fresquinho de manha e calor maravilhoso à tarde, mas ai era querer de mais.

Nessa tarde deslumbrante, eu aqui no meu computador matando um pouco de tempo e viajando por esse universo imenso que é a internet. Recebi um e-mail de amigo, o conheço apenas virtualmente, ele acabara de me enviar um texto que ele próprio escreveu contando um pouco do que tinha acontecido com ele.

No seu texto ele dizia entre outras coisas, que tinha perdido uma das pernas em um acidente automobilístico. Por imprudência de outros. Contava também que havia passado muito tempo internado no hospital até se restabelecer, e das suas dificuldades em aceitar o que tinha acontecido com ele.

Ao ler suas palavras, suas frases me fez relembras dos dias que também passei no hospital, as angústias de ficar ali, ora acordado, ora sonolento pelas medicações que ingeríamos, ouvindo os passos dos enfermeiros que andavam de um lado para o outro. Engraçado que nos tivemos lesões diferentes, mas o tratamento as angústia eram iguais.

Numa dessas frases ele descrevia como era seus banhos no hospital. Sempre em dupla os enfermeiros, às vezes eram homens, ou só mulheres ou ambos, mas o constrangimento era sempre igual.

Você ali despido, as pessoas te tocando, com um pano úmido, passando em suas entranhas e você ali imóvel. Muitas vezes com vontade de chorar, rezando para que terminasse logo. Somos frágeis de carne. Mas somos uma fortaleza de alma isso que nos da força de seguir em frente e superar essas barreiras que parecem ser insuperáveis.

Como meu amigo disse no seu texto, esses “banhos” pareciam ser um “lava rápido” aqueles que você entra com seu carro e sai do outro lado, meio limpo - meio sujo. Mas a sensação era a mesma que eu senti, e que ele também sentiu.

Infelizmente eu ou meu amigo não fomos e nem seremos os últimos que passamos por isso. Outras pessoas iram prova esse desabor que a vida nos prega.

Mas a uma coisa boa nisso tudo, tanto eu como ele sobrevivemos. Hoje dou valor até a última gota de água que cai do chuveiro, pois “lava rápido ou panos úmidos” só em histórias para contar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Chuva"

“Pelas longas estradas da vida” nos deparamos sempre com o desconhecido. Quanto mais vivemos, mais obstáculos aparecem. Alguns desses parecem ser instransponíveis nos obrigando a retornar, e é ai que mora o perigo, a depressão o desânimo vem acompanhado esse inevitável retorno.

Chovia muito, já era 22h30min. O professor finaliza a aula, podia ouvir o ruído das calhas escoando a agua corrente que descia impiedosamente pelo telhado formando em alguns pontos o barulho de pequenas cachoeiras. Aos poucos a sala de aula foi se esvaziando.

E eu ali pensando como ia para casa.

Fui descendo a rampa escorregadia, pois o orvalho que entrava pela janela aberta dos corredores assim a deixava. A chuva cada minuto aumentava. Ao fundo ouvia o clique dos deligar das luzes dos corredores da faculdade, onde o zelador com a rotina de seu emprego o fazia todos os dias.

Praticamente ali sobrava eu e apenas uma meia dúzia de alunos esperando incansavelmente a chuva passar. Mas ela teimava em aumentar a cada minuto. A enxurrada já não sendo vencida pelos bueiros formava uma grande correnteza quase alcançando à calçada.

Um a um foi se esvaindo dali sobrando apenas eu.

Então resolvi encarar a chuva!

A principio foi maravilhoso, apesar da chuva intensa fazia calor, ela veio a refrescar o corpo, a alma. A agua batia no rosto escorrendo pela pele parecendo ser uma massagem natural, eu e minha fiel cadeira de rodas estávamos a “passos largo” muito mais que o habitual, os carros passava bem ao lado, levantando aquela nuvem de agua pela rua afora, não se via mais nenhuma pessoa apenas eu e meu “corcel negro”. Já estava quase no meio do caminho com toda aquela agua abençoada que vinha do céu.

Mas ai para deixar a noite mais quente, um buraco!!! Hum um buraco!!!

A agua avermelha o encobria, quase fui para o chão, por pouco, muito pouco não afoguei minhas magoas numa possa, nem tão longe da faculdade e nem tão perto de minha casa.

Mal sai da imensa poça de agua e caminhei, andei ou sei lá rodei mais alguns metros e a cadeira parou de vez acho que pelo excesso da chuva. Eu ali no meio do caminho não via ninguém passar a chuva era intensa, estava todo molhado subiu uma tristeza enorme. De uma simples chuva que refrescava, estava ali inercie diante daquela situação, não restando alternativa se não ligar para minha mãe vir ao meu encalço.

A se não fosse a tecnologia ter um celular sempre à mão, não sei o que faria, assim que tocou o telefone ela já sabia que algo havia acontecido, então pegou sua sobrinha e saiu.

A chuva era forte, eu ali estagnando, com a boca amarga sem ter o que fazer se não espera, passando um filme pela minha cabeça, com uma mistura de raiva, revolta, mas ao mesmo tempo de felicidade de poder estar vivo, sentir a chuva, ver a água correndo, com vontade de gritar para que todos me ouvissem e ao mesmo tempo ficar quieto para que ninguém me veja que não tenha pena de mim por estar ali imóvel molhado parecendo uma pessoa indefessa, pois não é assim que me sinto, pois sim é isso que me da forças para que o amanha eu esteja preparado para outras adversidade, que seja maiores ou menores, mas sim lembrar que eu estou vivo. E bem ao longe eu vejo minha mãe “por essa longa estrada da vida”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A “dor”

A “dor”

Acordei, com a luz incandescente dos primeiros raios de sol entrando pelas frestas da janela, podia ver as pequenas fagulhas de poeira brilhar ao entrarem em contado com luz natural que adentrava meu quarto. Os passarinhos já cantarolavam, sua sinfonia quase ensurdecedora, seus ferrolhos “gritavam” de fome esperando o alimento tão sagrado para a sua sobrevivência, ouvia a algazarra que faziam no beiral do forro. As flores do pé de pitanga desabrochavam, bem ao lado do meu quarto, exalavam seus perfumes, no qual era o chamariz das abelhas que vinham de longe com o zunido de suas asas buscarem o néctar para fazer seu adocicado mel.

Sabia que era hora de levantar. Mau, minhas dores tinham se acalmado. Meus pés, tinham desinchados, estavam finos e enrugado, ainda sentia uma pequena dor em minhas costas, pois havia dormido quase a noite toda na mesma posição. Mas sentia um grande alívio, pois as dores maiores tinham passado. Passei da cama para minha fiel e companheira de todos os dias.

A almofada da cadeira de rodas já tinha os contornos de minhas nádegas, ou melhor, dos ossos de minhas nádegas, pois depois de tantos anos de lesão não tinha nenhum músculo, se parecia com dois tomates um de cada lado, com um vermelhão só. Poucos minutos depois de levantado os meus pés já começavam a inchar novamente. Eu sabia que o dia ia ser terrível novamente.

Com o passar das horas meus pés queimavam, minhas costa pareciam que tinha agulhas que iam penetrando levemente, mas ardentemente em mim, parecia chegar até à alma, era constante e crônica “a dor”, vez ou outra - me mexia - dela para cá - para aliviar a dor, que teimava em aumentar. Infelizmente não tinha remédio para isso, a pouca sensibilidade que tenho é a dor que sinto.

Se conto isso para alguém, sempre ouço a mesma resposta; “é preferível não ter sensibilidade, do que ter ou conviver com essa dor”. Às vezes até chego a pensar nisso também. Mas por outro lado eu ainda sinto.

Agora, acabei de me mover tentando mudar o ponto de alivio... Nunca reclamei dessas dores, que infelizmente vários amigos com o mesmo tipo de lesão igual a mim compartilhamos, dessa angustiante caminhada, sem caminhar de todos os dias. Há momentos que parecem que estou no limite, as dores são tantas que da vontade de gritar, mas suporto. Estico as pernas tiro os sapatos, coloco os pés no piso gelado, alivia por alguns segundo. Mas a dor é intensa.

Logo chega a noite e ao me deitar, aos pouco vai aliviando, fecho os olhos, o sono vem batendo. Quando adormecer sei que por um tempo não sentirei nada, mas logo vem o dia novamente e tudo com ele, inclusive os pássaros, o perfume das flores o brilho do sol...

Ah!!! Como é bom estar vivo, poder sentir, ver, ouvir...Pois a vida continua!!!